Mostrando postagens com marcador I Conferência Livre de Comunicação de Porto Alegre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador I Conferência Livre de Comunicação de Porto Alegre. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Conferência Livre de Porto Alegre: ABRAÇO apresenta suas propostas para a Conferência de Comunicação


O Coordenador Executivo da ABRAÇO-RS, Clementino Lopes, fez a apresentação do conjunto de prpostas tiradas pela ABRAÇO para a Conferência de Comunicação durante a manhã desta quartta -feira na Conferência Livre de Comunicação em Porto Alegre. Clementino também defendeu que ao final o evento aponte uma estratégia de atuação e mobilização para a Conferência Estadual de Comunicação que vai ser realizada nos dias 03 e 04 de novembro no Auditáorio Dante Barone, na Assembléia Legislativa em Porto Alegre.

Propostas Gerais da ABRAÇO para a CONFECOM
1 – Marco Regulatório - A Conferência deve estabelecer um novo Marco Regulatório para o setor. Esta legislação deve ter como premissa principal a democratização da comunicação. Isso passa pela regulamentação do artigo 220 da Constituição Federal que estabelece: “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.
A ABRAÇO defende o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação (um mesmo grupo controlar rádios, tevês, jornais etc), a limitação do número de emissoras em poder de uma mesma empresa ou família e a obrigatoriedade de parte dos programas exibidos serem adquiridos junto a produtores independentes.

2 - Concessões– O licenciamento para emissoras de rádio e televisão é feito de forma não transparente e sem critérios explícitos. Esta realidade levou a que um grande número de emissoras de rádio e televisão seja controlada, direta ou indiretamente, por políticos. A relação com os grupos de mídia, também, se caracteriza pela falta de transparência. Por isso a ABRAÇO propõe estabelecer formas transparentes, e submetidas ao controle social, com meio de garantir a democratização da comunicação.

A renovação das concessões mantêm o mesmo padrão não democrático e sem critérios. O artigo 221 da Constituição Federal estabelece que: “A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão”. Atenderão aos seguintes princípios:

I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”.

A grande maioria das emissoras de televisão aberta não cumpre os preceitos constitucionais. A começar pela “preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”.
As renovações são feitas de forma burocrática e sem transparência, com a exigência de quorum qualificado no Congresso Nacional (Senado e Câmara do Deputados) para a não renovação. Por isso a ABRAÇO defende a análise da programação do veículo, o cumprimento das exigências constitucionais e a inexistência de débitos trabalhistas, previdenciários, impostos federais, estaduais e municipais como critérios para a renovação, que deve passar por audiência pública na localidade onde o canal está sediado antes de ser votada pelo Congresso Nacional.

A BRAÇO, também, defende a regulamentação do artigo 223 da CF, destinando 1/3 dos canais para cada sistema, o público, o estatal e o privado.

3 – Produção independente - O incentivo a produção independente passa pela aplicação do comando constitucional que estabelece, no artigo 221, inciso II: “promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção. independente que objetive sua divulgação”.Por isso a ABRAÇO defende a definição, em lei, de percentual mínimo de programas que devam ser adquiridos junto a produtores independentes.

4 – Regionalização– A implantação das grandes redes nacionais de televisão, nas décadas de 60 e 70 do século passado, caracterizou- se por um perfil centralizado. Este quadro levou a uma crescente homogeneização cultural. A cultura do sudeste, onde estão às cabeças de rede, é distribuída para o resto do país e passa a ser um modelo de comportamento e de consumo. Gêneros ou ritmos de outras regiões só encontram espaço quando são assimilados e pasteurizados pelos centros produtores.

A ABRAÇO defende a regulamentação, através de lei, do artigo 221 da Constituição que estabelece, no inciso III, a: “regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei”.

5-Questão étnica – A mídia, particularmente a televisão, tem consagrado uma posição subalterna do negro na sociedade. Os programas (novelas, filmes, minisséries e programas jornalísticos) contam a história do branco. A história da África, a cultura das populações trazidas cativas para o Brasil, às lutas dos quilombolas pela liberdade, nada disso é mostrado. O negro é apresentado, na televisão, como escravo, favelado ou empregado doméstico. Mais recentemente, algumas novelas e minisséries têm mostrado famílias negras de classe média. Mas são situações muito pontuas que ainda não alteraram o quadro geral.

Para reverter esta situação de exclusão do negro na mídia a ABRAÇO propõe uma política afirmativa que garanta a exibição de programas que abordem a cultura afro descendente. Outra ação afirmativa deve ser a garantia de um número mínimo de atores negros nas produções televisivas, considerando o percentual da população negra no conjunto da população brasileira. Na aquisição de programas de produtores independentes, também, deve ser assegurado um número mínimo de produções que abordem a temática étnica. Isto é importante para elevar a autoestima do povo negro e combater o racismo.

Os índios, ciganos e migrantes também sofrem discriminação na sociedade e os meios de comunicação acabam por reproduzir esta discriminação, na forma de exclusão. Estas populações são invisiblizadas. Não aparecem nos programas televisivos ou, quando aparecem é de maneira estereotipada. Portanto é necessária uma política de ações afirmativas que inclua estas populações na programação televisiva brasileira.

6-Gênero – A mídia trata a mulher como objeto de consumo (na propaganda, em programas de auditório, etc.) ou como consumidora que deve ser convencida a comprar os produtos oferecidos. As duas abordagens desconsideram a mulher como ser humano, com necessidades, aspirações e subjetividades própria. Para superar este tratamento desumanizador é necessária uma legislação que proteja a mulher da exploração da imagem e da vulgarização, garantindo os direitos civis femininos.

A legislação, também, deverá garantir a proibição de veiculação de conteúdo homofóbico ou degradante à cultura LGBT nos meios de comunicação. Os veículos públicos devem ter em sua grade de programação assuntos relacionados às temáticas LGBT, combatendo a discriminação e valorizando a população LGBT.

7-Rádio digital – A implantação do rádio digital no Brasil tem sido cercada de muita polêmica e pouca democracia. Primeiro o Ministério das Comunicações estudou a implantação do sistema Iboc, desenvolvido nos Estados Unidos e que tem um alto custo. Atualmente o Ministério das Comunicações cogita implantar o modelo europeu.

Mas, a forma como está sendo conduzido o debate não muda. A implantação do rádio digital não pode ficar restrita ao Ministério e a ABERT. Este debate deve ocorrer de maneira democrática, transparente, e envolver todos os interessados: poder público, rádios comunitárias, públicas e estatais, rádios comerciais, universidades, institutos de pesquisa, indústria eletrônica e as entidades de defesa do consumidor. O sistema a ser implantado deve contemplar as rádios comunitárias, contribuir para o desenvolvimento tecnológico do pais, fortalecer a indústria nacional e garantir o direto do consumidor ter acesso a um receptor de qualidade e com custo baixo. A ABRAÇO defende o financiamento público, a fundo perdido, para a migração das rádios comunitárias para o sistema digital, por isso a ABRAÇO defende a criação de um sistema brasileiro de rádio digital, testado, prioritariamente, pelas rádios comunitárias.

8-Convergência tecnológica – A convergência tecnológica (união de varias mídias em uma) abre enormes oportunidades para o acesso a informação, evitando a sobreposição de sistemas que existe hoje e racionalizando os investimentos. A questão que se coloca é quem aproveitara essa oportunidade. Se ela for apropriada pelo capital servirá para maximizar o lucro, aumentar a concentração da propriedade e incrementar a internacionalizaçã o (desnacionalizaçã o) das comunicações no Brasil. Por outro lado, se a sociedade brasileira, com as mídias comunitárias e livres a frente, se apropriar dessa oportunidade tecnológica ela poderá abrir enormes possibilidades para a democratização da comunicação, inclusão digital e para o desenvolvimento científico e tecnológico nacional.

Por isso a ABRAÇO defende:

a) o acesso gratuito das rádios comunitárias a internet;

b) a implantação de uma rede wimax nas áreas urbanas, como instrumento para garantir o acesso gratuito à internet;

c) o incentivo a produção de receptores de wimax, abrindo um novo espaço para as rádios comunitárias, através do voip (voz sobre IP). Esta rede pode ser implantada em parceria com as empresas estaduais e municipais de Tecnologia da informação TI.

d) o fortalecimento da Telebrás para garantir a oferta de banda larga gratuita para as comunidades e meios de comunicação comunitários

9-Operador de Rede Público– A televisão digital permite a multiprogramaçã o, otimizando o uso dos canais. Mas, para efetivar estas possibilidade e reduzir os custos é necessária a existência de um operador de rede. Para potencializar o desenvolvimento da televisão pública e estatal no Brasil, a ABRAÇO propõe a criação de um Operador Público que atenda as tevês estatais e públicas. Com a garantia da transmissão digital, em sinal aberto, para as televisões comunitárias. As tevês privadas devem ficar de fora, pois cada emissora recebeu a concessão de um canal, que não pode ser multiplicada por mágica.

10 – Empresa Brasileira de Comunicação– A Abraço defende que a EBC se torne uma empresa pública, que implante uma nova mentalidade de REDE NACIONAL de rádio e televisão, regionalizando a produção cultural, artística e jornalística. A ABRAÇO propõe a criação de 6 centros de produção, no sul, no sudeste, no centro oeste, no norte, no nordeste I e no Nordeste II, com a divisão equânime da grade de programação, propiciando retratar a diversidade cultural, artística e jornalística do Brasil.

11 - Criação de cursos modulares, e curriculares, nas escolas públicas – A criação de cursos de formação em mídia comunitária permitirá a superação da relação vertical: emissor-receptor, substitui-do- a por uma relação horizontal, onde todos podem ser produtores e receptores, simultaneamente. Esta iniciativa estimulará o surgimento de mídias comunitárias e o exercício democrático da comunicação.

Porto Alegre: Conferência Livre de Comunicação ocorre na Casa dos Bancários

Por Márcia Camarano
Fotos Luis Henrique Silveira

A Casa dos Bancários foi sede nesta quarta, dia 21, da Conferência Livre de Comunicação em Porto Alegre, preparatória para a Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá em Brasília, de 14 a 17 de dezembro. Com o tema “Comunicação: meios para construção de direitos e de cidadania na era digital”, as propostas foram distribuídas por três eixos temáticos: produção de conteúdo, meios de distribuição e cidadania - direitos e deveres.

Esses temas foram considerados imprescindíveis pelos 84 participantes, representantes de entidades ligadas aos movimentos sindical e social. “A comunicação não é menos importante que saúde, educação ou trabalho. Ela está na cesta básica dos direitos imprescindíveis do cidadão, que é o de se expressar, de manifestar seus pensamentos”, apontou o professor de psicologia Pedrinho Guareschi, um histórico militante em defesa da democratização da comunicação e um dos palestrantes da manhã.


O diretor do Sindicato dos Bancários, anfitrião do evento, Éverton Gimenis, afirmou que oligopólio na mídia é uma injustiça: “É inconcebível não haver um canal de TV aberto para os trabalhadores; é preciso discutir a comunicação do ponto de vista da classe trabalhadora, de forma coletiva, para enfrentar o bloqueio na comunicação que se tem atualmente”.

As propostas apresentadas sobre os mais diversos temas na conferência livre - sobre mídia impressa, rádio, TV, rádios e TVs comunitárias, internet, sistemas de outorga, legislação, propriedade, financiamento, órgãos reguladores, aspectos federativos, democratização da comunicação, liberdade de expressão, soberania nacional, inclusão social, diversidade cultural, religiosa, étnico racial, de gênero, orientação sexual, entre outras - serão sistematizadas para serem apresentadas na Conferência Estadual, que ocorrerá dias 3 e 4 e novembro, no auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa.

Estiveram presentes os deputados estaduais Raul Pont (PT), representando a Assembléia Legislativa, e Raul Carrion (PC do B).

Fonte: Sindicato dos Jornalistas

Movimentos sociais debatem Comunicação na Conferência Livre de Porto Alegre

Por Márcia Martins

Com pequenas inserções e ajustes nas propostas para democratizar os meios de comunicação no Brasil, os movimentos sociais e de trabalhadores demonstraram coesão na Conferência Livre de Comunicação de Porto Alegre, que reuniu mais de 80 participantes, quarta-feira (21/10), na Casa dos Bancários. Mais de 40 propostas foram apresentadas para os eixos de produção de conteúdo, meios de distribuição e cidadania: direitos e deveres.

O encontro, durante todo o dia, foi preparatório à Etapa Estadual da 1º Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), marcada para os dias 3 e 4 de novembro, na Assembléia Legislativa do Estado.


Organizado pela Comissão RS Pró-Conferência Nacional de Comunicação, a Conferência Livre foi aberta pelo professor da PUC, Pedrinho Guareschi, que falou sobre a importância de democratizar a informação no País. “Porque a mídia brasileira tem dono. Não mais do que 10 grupos de famílias detém mais de 90% de tudo o que é veiculado hoje na mídia”, informou o sociólogo. Pior do que isto, Guareschi afirmou que algumas destas famílias chegam a produzir, elas próprias, até 90% do que divulgam. “Existe alguma democracia nisto e onde fica a palavra dos outros cidadãos”, provocou.


O deputado estadual Raul Pont (PT/RS), afirmou que a Assembléia Legislativa acertou ao convocar a Conferência Estadual, para os dias 3 e 4, uma vez que o Governo do Estado não chamou a preparatória. “O desafio está posto. Este é o momento de recolher teses e produzir projetos para sistematizá-los e levá-los à Confecom”, disse. De 1998 para cá, segundo Pont, não houve nenhum avanço na democratização da comunicação. “O que se viu foi a consolidação das grandes redes que controlam a mídia no Estado”, assegurou.

A 1ª Confecom, chamada pelo presidente Lula, após muita pressão dos movimentos sociais, deverá ocorrer nos dias 14 a 17 de dezembro, em Brasília. Para discutir o encaminhamento de propostas e o engajamento de toda a sociedade civil gaúcha na 1ª Confecom, através da apresentação de teses e indicação de Delegados, a Comissão RS Pró-Conferência Nacional de Comunicação tem cumprido uma extensa agenda, em que orienta sobre a necessidade da discussão e da realização de conferências municipais.




sexta-feira, 9 de outubro de 2009

I Conferência Livre de Comunicação acontece em Porto Alegre no dia 21/10



A Comissão RS Pró Conferência de Comunicação convida a todos e todas para a Conferência Livre de Comunicação de Porto Alegre que se realizará no dia 21/10/2009 - na Casa dos Bancários, Rua General Câmara, 424, Centro - Porto Alegre.
Preparatória para a Etapa Estadual da Conferência Nacional de Comunicação (Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa - dias 03 e 04 de novembro)

É um grande momento para enriquecer o debate e trazer as propostas que o Movimento Social acumula no Estado sobre a estrutura da comunicação no país.
Trata-se de uma atitude concreta no sentido do avanço na democratização da comunicação no Brasil, historicamente controlada pelas elites e pelo oligopólio das redes de mídia.

Divulgue, compareça e traga as propostas para sistematização e para serem enviadas para a I Conferência Nacional de Comunicação em Brasília, no mês de dezembro.

Programação da I Conferência Livre de Comunicação de Porto Alegre
Tema:
"Comunicação: meios para construção de direitos e de cidadania na era digital"
Dia 21 de Outubro de 2009
Casa dos Bancários - Rua Gen. Câmara, 424


Manhã:
8 h 30 min - Início do Credenciamento

9:00 horas - Abertura:
O Desafio das Mudanças nas Comunicações no Brasil e América Latina
- Raul Pont - Deputado Estadual, Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
- Pedrinho Guareschi - UFRGS
- Éverton Gimenis - Sindicato dos Bancários de Porto Alegre
- Cristina Feio de Lemos - Sintrajufe/RS, Comissão Organizadora da Etapa Estadual CONFECOM

10:00 horas - Mesa 2
O direito à Comunicação - parte 1 - Propostas

- Paulo Farias - CUT
- Claudia Prates - MMM - Marcha Mundial das Mulheres
- MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
- Liliana - Conselho Regional de Psicologia
- Clementino Lopes - ABRAÇO
- Márcia Camarano - Sindicato dos Jornalistas

10h 40 min - Mesa 3
O direito à Comunicação - parte 2 - Propostas

- Dagmar Camargo - CONRAD
- Vera Daisy Barcellos - Núcleo Afrobrasileiro do Sindicato dos Jornalistas
- Cleber - MTD
- FNDC - Candice Cresqui
- Luis Henrique Silveira - Engenho e Arte
- LBL - Liga Brasileira de Lésbicas RS

11h 30 minutos - Mesa 4
Novas Tecnologias

- Valério Brittos - Unisinos
- Juan Sanchez - Sinttel
- Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo
- Oscar Plentz - PoaTV

12:30 h Intervalo

Tarde:
13:30 h - Abertura
1ª Conferência Nacional de Comunicação

- Celso Schreder - Superintendente de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado
-

14:00 horas
Trabalhos em Grupos - Eixos Temáticos da CONFECOM

Grupo I - Produção de Conteúdo

Grupo II - Meios de Distribuição

Grupo III - Cidadania: Direitos e Deveres

16:00 horas - Intervalo

16h 15 min - Plenária Final

Apresentação das Propostas Grupo I - debate
Apresentação das Propostas Grupo II - debate
Apresentação das Propostas Grupo III - debate
Sistematização de propostas

19:00 horas - Encerramento e Informes da Etapa Estadual


Participe!

Comissão RS Pró Conferência de Comunicação