Mostrando postagens com marcador democratização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador democratização. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Democratização dos meios de comunicação é discutida em Rondônia

“Democratizar a comunicação significa lutar com alguém que detém algo que está faltando para outros”. Foi esse o espírito que permeou as discussões na Pró-Conferência de Comunicação Rondônia, realizada nesta sexta-feira (26), na Biblioteca Francisco Meireles, em Porto Velho. O evento contou com a participação de movimentos sociais, sindicais, acadêmicos e sociedade civil que discutiram a questão da democratização dos meios de comunicação em Rondônia e no resto do país.

Para o deputado Eduardo Valverde, Rondônia precisa romper a barreira no acesso às comunicações existente. Uma das formas para isso é a convergência tecnológica, que vem somar na luta pela democratização dos meios de comunicação.

Conforme Valverde, nesse sentido a conferência alcançou seu objetivo preliminar de apresentar a temática da conferência nacional. Ele ressaltou ainda, a importância dessa conferência para o acesso a comunicação e a democratização da comunicação no Brasil.

O presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraco), José Sóter, disse que o evento foi de grande importância para o amadurecimento do tema no estado. Segundo ele, somente com a mobilização de todas as entidades e da sociedade organizada será possível se opinar qual é a melhor saída para o futuro das comunicações. “A participação nesse primeiro momento fez com que todos saíssem daqui imbuídos da necessidade e da importância de estarem fazendo com que esse debate ganhe os lares e os setores populares, pois esse assunto, não é ingrediente do cardápio diário dos cidadãos”.

Como representante do setor de rádio, Sóter disse que é preciso levar aos lugares mais longínquos o acesso à informação, e as rádios comunitárias são veículos eficazes nessa difusão. Ele parabenizou também a iniciativa do deputado Eduardo Valverde (PT/RO), organizador do evento, na elaboração do projeto de Lei nº9612/2007, que estabelece as comunidades indígenas o direito de prestarem o serviço de radiodifusão comunitária.

Já para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Rondônia (Sinttel), João Anselmo o estado ainda está muito aquém dos debates de comunicação, mas que com esse primeiro passo dado, o tema tende a ser valorizado e ganhe força dentro de todo os segmentos. O principal ganho, dessa primeira reunião, em sua avaliação é começar a identificar os pontos de tensão que existe entre os veículos na disputa de poder . “A presença dos sindicatos é um ganho importante com a possibilidade de nós discutirmos uma comunicação de massa. Essa é a grande chance de unificarmos as ações nas comunicações. Estamos acordando agora para esse tema”, observou.

O representante do Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília, Professor. Ms. Rodrigo Braz, falou sobre o passo importante que sociedade deu importante em viabilizar e continuar a luta pela democratização da comunicação. Conforme o professor, os empresários de rádios difusão e até mesmo políticos que detém alguns veículos de comunicação já estão se mobilizando no sentido de organizar sua participação e de estabelecerem seus interesses na conferência, por isso, ressaltou ele, é de suma importância que os movimentos sociais, entidades, sindicatos, estudantes, os professores estejam mobilizados para darem sua contribuição e fazer valer os interesses democráticos da sociedade como um todo.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores de Rondônia (CUT/RO) Itamar dos Santos, só em se formar o Comitê que dará prosseguimento às discussões nas próximas etapas da conferência já foi uma conquista da sociedade rondoniense. Mas, frisou a necessidade de que mais movimentos se engajem nessa discussão. Para tanto, uma nova reunião foi marcada para a próxima quinta-feira (02.07), no mesmo local. Na ocasião será definido um plano de trabalho, que sensibilize os poderes constituídos a estarem viabilizando a realização da conferência estadual. A Conferência Estadual de Comunicação deverá ser puxada pelo Governo do Estado.

Itamar lembrou ainda, que no estado a democratização é muito baixa, pois são algumas famílias e alguns grupos econômicos controlando os principais órgão de comunicação, como mídia impressa, rádio ,TV, e que as rádios comunitárias tem grande dificuldade se estabelecerem, por isso, é importante levar adiante essa luta, que foi iniciada nessa pró-conferência. “ Uma semente muito boa foi plantada hoje, e com certeza vai germinar pois nós vamos conseguir mobilizar a sociedade visando ampliar a democratização, que é um processo a ser construído, e a participação da sociedade é fundamental”, disse.



Fonte: CNPC

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Paulistas debatem democratização da comunicação


Encontro preparatório para Conferência Nacional reuniu 277 ativistas, na capital paulista; Erundina comparece e critica empresários e ministro das Comunicações

Por Lúcia Rodrigues , Caros Amigos

O seminário organizado pela Comissão Paulista Pró Conferência de Comunicação para debater a democratização da mídia reuniu, neste sábado, 01, na capital paulista, 277 ativistas ligados a movimentos sociais, entidades de defesa da democratização da comunicação, além de representantes de categorias profissionais, como jornalistas, radialistas, psicólogos.

A manutenção da data de realização da Conferência, agendada para ocorrer entres os dias 01 e 03 de dezembro, em Brasília, foi defendida pelos presentes. A recomposição da verba contingenciada pelo Executivo, para a organização da primeira conferência de comunicação do país foi outra reivindicação dos militantes,

A revisão dos critérios para as concessões de rádio e TV, além da discussão sobre a propriedade cruzada dos meios de comunicação (quando o mesmo grupo empresarial detém várias mídias, exemplo disso é a Rede Globo) também pautaram os debates.

A defesa de um controle social sobre a mídia e as propagandas nela veiculadas também foram temas que permearam os debates. As intervenções também ressaltaram a importância da luta contra o oligopólio midiático.

Patronato

A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) criticou os empresários do setor de comunicação por estarem inviabilizando a aprovação do regimento interno da 1ª Conferência Nacional de Comunicação.. A parlamentar também não poupou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, das criticas.

“Desde o início das discussões na comissão organizadora que os empresários vêm tentando inviabilizar o processo. Eles avaliam que estão em desvantagem em relação à sociedade civil e, por isso, querem se retirar da Conferência”, revela a deputada, em entrevista exclusiva a Caros Amigos.

Para a parlamentar, o governo federal tem se comportado corretamente no processo de construção da Conferência de Comunicação. “O governo não está fazendo coro com os empresários. A única exceção é o ministro das Comunicações, Hélio Costa”, frisa. Ela conta que ministro já afirmou que não quer que a Conferência aconteça.

Erundina é suplente na vaga da Câmara dos Deputados, na comissão organizadora da Conferência.

Fonte: CNPC

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Conferência Nacional de Comunicação: a hora é de unir forças

Rosário de Pompéia e Ivan Moraes*
28.04.2009
Fonte: Observatório do Direito à Comunicação

Talvez você já tenha lido isso em algum lugar. Depois de anos de espera, finalmente foi publicado o decreto que oficialmente convoca a I Conferência Nacinoal de Comunicação (Confecom). No jargão do presidente, “pela primeira vez na história desse país” a sociedade terá o direito de participar – e intervir – na forma como é tratado esse direito no Brasil. Mérito para as entidades, redes, fóruns e articulações que formam o conjunto do movimento pelo direito à comunicação. Não é de hoje que essa ‘turma faz barulho’ para que o governo convocasse esse processo.

A mobilização, que já acontecia há vários anos, ganhou corpo quando foi criado o movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação, ao final do Encontro Nacional de Comunicação, em junho de 2007. O grupo, com mais de 30 representações oriundas de diversos segmentos, já destacava-se pela grande diversidade entre os sujeitos participantes. Quase dois anos depois, podemos dizer que o ‘jogo’ da conferência já começou. Se naquele momento nossa meta era garantir a realização da Confecom, a dificuldade agora é bem maior. A disputa, agora, é para que este processo aconteça de forma realmente representativa, transparente e democrática. Não é fácil.

Poucos dias após a publicação do decreto que convoca a conferência, o Ministério das Comunicações, nomeado coordenador do processo, divulgou uma portaria em que indica as entidades e órgãos governamentais que deverão formar a comissão organizadora da Confecom. Além dos integrantes do poder público, serão oito representantes dos empresários e oito dos movimentos pela democratização da comunicação.

Levando-se em conta as alianças históricas de setores do governo com os donos da mídia, é preciso muita atenção para se compreender a correlação de forças que se desenhará quando todos os integrantes dessa comissão forem devidamente nomeados. Ainda mais porque, ao publicar a portaria que delimita as vagas, no Ministério das Comunicações literamente ignorou as discussões que vinham sendo realizadas pelo Comitê Pró-Conferência.

Intervir na portaria, discutir o regulamento, sugerir conteúdos e metodologia... Tudo isso merece tanta importância quanto os dias da conferência propriamente dita. É nesse processo que se define as “regras do jogo”, que se não forem bem estabelecidas podem transformar essa processo num espaço de legitimação do ‘faroeste midiático’ que conhecemos.

A construção da Confecom (e das etapas regionais) não pode nem deve ficar restrito apenas a organizações que têm na comunicação sua área de atuação. Essa é uma luta de toda a sociedade brasileira, de movimentos urbanos e rurais, de comunidades tradicionais, do movimento pela educação, pela saúde, pelo meio ambiente... Afinal de contas, as políticas de comunicação (ou a falta delas) acaba interferindo em todos os segmentos da sociedade.

Alguns desafios são prementes: a mobilização e a preparação das conferências municipais e estaduais, a interiorização do debate, a articulação para que temas de interesse local sejam pautados nas discussões nacionais. Afinal de contas, quem pautará a subrepresentação regional e as questões que são específicas de locais pouco (ou nada) atendidos pelos meios de comunicação em massa? Apesar da demora para a assinatura do decreto presidencial, a construção da conferência será rápida. Pouco mais de sete meses nos separam dos três primeiros dias de dezembro, quando a etapa nacional será realizada.

Protagonista do debate, cabe à sociedade civil organizada, em suas diversas matizes, mobilizar-se, articular-se e qualificar-se para o debate. Só com uma presença significativa dos sujeitos que vislumbram um novo paradigma da comunicação no Brasil poderemos fazer com que a I Confecom signifique realmente um marco democrático na história desse país.

*Rosário e Ivan são integrantes do Centro de Cultura Luiz Freire, organização integrante do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom). Ela também faz parte da coordenação da Campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania, enquanto ele é conselheiro do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Conferência precisa definir formas de controle público da comunicação

24/04/2009 |

Candice Cresqui

Fonte: FNDC

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação precisa definir formas de controle público e de capacitação da sociedade para incidir sobre a comunicação. Além disso, precisa conduzir à reestruturação do mercado e repensar a relação dos meios de comunicação com a cultura, diz o Coordenador-geral do FNDC, jornalista Celso Schröder.

Em entrevista ao e-Fórum, o coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), jornalista Celso Schröder, aborda as concepções da entidade sobre o papel da Conferência na construção de mecanismos de controle público. Destaca ainda a necessidade de inserir nos debate temas sobre a cadeia produtiva do setor, enfrentando incontornáveis questões mercadológicas. A 1ª Confecom ocorrerá entre os dias 1º e 3 de dezembro de 2009.

O jornalista também presidente da Federação de Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc), vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Leciona no curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUC-RS) há mais de 20 anos. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS duas vezes e secretário da comunicação do Partido dos Trabalhadores no estado. Atualmente chefia a Superintendência de Comunicação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, cargo assumido no mês de janeiro.

Qual o cenário da mídia brasileira que aguarda a Conferência?

Schröder – O Brasil possui um déficit alto de democracia no setor de comunicação. O atual sistema é verticalizado e concentrado de uma maneira insuportável, fruto de algumas questões históricas e de muitas decisões políticas. Não houve, no Brasil, os debates ocorridos em boa parte do mundo, sobre as escolhas dos sistemas e a atribuição da dimensão pública dos mesmos. Embora a atual Constituição sinalize com algumas questões, como a proibição do monopólio, da concentração de mídia, da censura, e dê garantias à liberdade de expressão, ela o faz de maneira tão pouco regulamentada que praticamente dada disso se aplica.

Nos últimos dez anos, esse sistema entrou em colapso por dois motivos principais. Um deles é a deficiência do modelo de financiamento; o outro é decorrente de uma convergência tecnológica avassaladora. Muito mais do que simplesmente uma transição do tipo televisão preto-e-branco para em cores, como algumas vezes erroneamente é comparada. Estamos num momento histórico novo, que exige de todos nós políticas públicas.

A Conferência se consagra como o lugar propício para essa formulação. Nós conseguimos, a partir da percepção dessa crise, criar essa possibilidade de efetivamente enfrentá-la. Essa crise tem solução e ela será a melhor possível se for discutida e negociada entre todos os agentes políticos em jogo. Se fizermos um bom debate, profundo e responsável, transcendendo as denúncias e os diagnósticos, já exaustivamente feitos, e passarmos para a difícil fase de propor, nós daremos um passo importante na história. Atualizando o país do ponto de vista da democracia, da infra-estrutura e da indústria.


Que formato o evento deve ter para garantir a participação plural?

Schröder – Quando o FNDC apresentou a proposta de realização de uma conferência, manifestamos o cuidado para que ela não se reduzisse a um debate exclusivo dos movimentos sociais. Precisávamos constituir bases de acordo. Isso para que, além do debate oportuno e atrasado que a Conferência vai proporcionar, tivéssemos políticas públicas como decorrência concreta.

Portanto, ela deveria ser, necessariamente, o debate entre os interesses políticos do país, representados, de um lado, pelos empresários de comunicação (vendo-a apenas como o seu negócio), e de outro, pela sociedade civil (precisando atribuir a esse negócio o caráter de serviço e de direito social à comunicação). Além disso, é preciso que o Estado esteja presente, para que as políticas sugeridas possam ser implementadas.

A Comissão Organizadora estabelecida pelo Governo de um modo geral atende ao que o FNDC vinha defendendo. Uma composição tripartite, com a participação do Estado, dos empresários e dos movimentos sociais. Talvez haja uma super-representação do Estado, mas isso não deslegitima o grupo. A Conferência está desenhada nos moldes que o movimento social vinha reivindicando – um encontro nacional, convocado pelo Executivo, com âmbitos regionais e estaduais. Precisamos agora debater com esses agentes econômicos e com o Estado, lutando para conferir à comunicação a dimensão humana e pública.

Qual é o maior desafio a vencer para consolidar a Conferência?

Schröder – O maior desafio nós já vencemos, criando a confiança entre todos os atores de que estávamos propondo a construção de um espaço efetivamente público. Essas negociações ocorreram nos últimos dois anos, e creio que o FNDC teve um papel importante como interlocutor nesse processo. Temos um histórico de relações transparentes, baseadas no cumprimento de acordos e principalmente na transparência de posições. Sem abrir mão dos nossos princípios, sempre nos dispomos a construir propostas a partir de visões antagônicas. Sempre evitamos práticas que levassem á exclussão dos interlocutores dos processos em debate.

Agora entramos num segundo momento. Precisamos compreender que esse espaço deve transformar-se num local de constituição de contratos. Os movimentos sociais devem pactuar sistematicamente, mas com o cuidado de que de nenhuma posição seja submissa ou se sobreponha a outras. Devemos agora pensar na constituição de mecanismos de aferição, de consulta. E já começamos a fazer isso satisfatoriamente com as comissões estaduais.

Precisamos constituir uma Conferência que discuta coisas pontuais, com eixos bem definidos. Com o cuidado de não atribuir a ela um caráter messiânico. Temos que compreendê-la como o início de um processo a ser sedimentado, a exemplo de outras conferências. E precisamos construir bases de acordos na Comissão Organizadora, evitando a tentação de fazer dentro dela a própria Conferência, antecipando um debate que deve ser público.

Outro desafio, ao propor regras para a comunicação, é o de não as confundir com qualquer tipo de censura. Essa Conferência deve ter o caráter de construção de mecanismos de controle público. E esses mecanismos são sistemas interligados, onde se constituem sutis estruturas sem tutores, ou censores, de modo que a liberdade de expressão efetivamente exista.

E qual será o desafio posterior?

Schröder – Acredito que seja o desafio de o Governo, a partir do recolhimento das proposições originárias da Conferência, ter ânimo para transformá-las em políticas públicas. O governo precisa recompor a sua correlação de forças. Ao longo das últimas décadas, o Executivo nacional tem sido refém das empresas de radiodifusão. Espero que este Governo não permita a continuidade dessa situação, nem simplsmente troque de "tutor", passando a submter-se aos interesses das operadoras telefônicas, as chamadas teles, que dominam a internet e já se atribuem o direito de transmitir conteúdos, programas, embora nenhuma norma lhes autorize tanto. Nesse caso a situação pioraria, pois no caso da radiodifusão há algumas normas de controle nas quais a sociedade pode se apegar. No caso das teles, se elas assumissem o papel que hoje cabe às empresas de rádio e TV, o descontrole seria absoluto.

Ao convocar uma Conferência, o Governo precisa constituir articulações e bases de apoio na sociedade para fazer as mudanças necessárias, criando regras para desconstituir esses poderes ilegítimos que aí estão. Devemos atribuir à comunicação brasileira o seu caráter de serviço, por um lado, e de outro, de direito social inalienável, reafirmando o caráter republicano do país.

Quais os grandes temas que devem ser abordados?

Schröder – O tema central deve ser a convergência. Temos que tratar desse imbróglio tecnológico e a consequente confusão de papéis das telecomunicações e radiodifusão. Essa questão é fundamental. Mas outros temas merecem atenção. Temos um índice baixíssimo de leitura no país, por exemplo, e precisamos de ações efetivas para dar conta disso. Temos uma degradação do rádio, que tem somente 4% dos financiamentos no país. Isto obviamente resultou numa deterioração de conteúdo, e obrigou as emissoras a entrarem em rede, traindo sua vocação regional.

Devemos discutir o provimento da comunicação; o significado de rede pública e única, proposta do FNDC feita há muito tempo e que se mostra mais urgente; a reestruturação dos sistemas de comunicação; a forma como a sociedade está capacitada para receber as mensagens midiáticas. A regulação da internet é outro tema. Tudo isso são eixos fundamentais a serem tratados. Além disso, a Conferência deve estar calçada em alguns princípios, como a inclusão social, a regionalização, a diversidade cultural e religiosa, as questões étnico-raciais e de gênero, os cuidados com a infância. Esses princípios devem permear transversalmente a Conferência.

Por que o FNDC dá ênfase aos debates sobre a cadeia produtiva?

Schröder – É preciso compreender que o modelo de comunicação do país é resultado de uma cadeia de valores, de um negócio. Não temos como reverter essa situação se não entrarmos no cerne do debate. É preciso ter coragem para enfrentar esse modelo, prioritariamente econômico, como a esquerda sempre defendeu. Marx [Karl] já apontava que as relações humanas estavam pautadas a partir da vida econômica, não das ideias como queriam os filósofos alemães. Se ficarmos restritos ao idealismo, perderemos esse embate. Fazer a discussão pela lógica da cadeia produtiva não significa excluir os princípios que já falamos, mas incluí-los nesse debate.

Será o espaço para tratarmos da reorganização desse sistema falido da produção a partir da lógica do mercado. Precisamos debater as questões de provimento, produção, circulação, recepção. Como se dará o financiamento da TV pública, das TVs comunitárias? Como se dará a relação das teles com os radiodifusores, hoje frágeis economicamente? Como se dará a produção regional, como ela será regrada?

A distribuição e circulação de produtos de cultura, principalmente pela televisão, estão absolutamente verticalizados. São baseados em um modelo de sucesso comercial que é o de emissoras filiadas, onde a produção se torna concentrada e inibe a cultura regional. Precisamos reverter isto. E a desverticalização também precisa ser pensada para a mídia impressa. O maior jornal brasileiro tem uma tiragem inferior a 300 mil exemplares diários. Isso é vergonhoso, considerando o volume da população brasileira.

Ainda há as questões como recepção e consumo. Precisamos de um sistema que atribua ao receptor uma dimensão cidadã, para que a comunicação não seja encarada simplesmente como entretenimento. Mesmo na televisão paga, o consumidor tem o direito de ter um pacote qualificado.

A base que sustenta a sociedade do futuro é a comunicação. Se conseguirmos dominá-la, ter sobre ela um controle social, o Brasil terá grandes chances de fomentar a igualdade e a pluralidade, consolidar a Nação e a projetar-se mundialmente.

Quais são as bases de políticas de comunicação que incidam no cotidiano?

Schröder – O FNDC tem como base quatro eixos estratégicos: o controle público dos meios, a reestruturação do sistema de comunicação, a capacitação da sociedade e as políticas de desenvolvimento da cultura.

A idéia de controle público propostas pelo FNDC sustenta que o Estado, embora tenha uma dimensão pública definida, precisa ser transpassado por mecanismos diretos de controle da sociedade. A comunicação precisa ser compartilhada e apropriada pela população. Para isso, essa população precisa ser capacitada a compreender os mecanismos de produção dos meios.

Para o FNDC, a partir desses dois princípios, será possível fazer a reestruturação do sistema de comunicação. Isso quer dizer reorganização – precisamos dos sistemas privado, estatal e público garantindo a multiplicidade do país. E todos eles sob controle público.

Quando lutamos por uma comunicação mais democrática, lutamos para atingir a democratização da cultura. Entendemos que a cultura é o resultado final dos meios da comunicação. Portanto, as bases que estruturam o FNDC têm o controle público como vértice e a cultura como síntese.

Como avaliar a efetividade de uma comunicação democratizada?

Schröder – Se existisse um índice de democratização, esse índice se daria pela capacidade da comunicação de representar a diversidade do país. Esse é o nosso principio norteador. Exemplo: a minha fala deve estar assegurada da mesma forma que a dos meus adversários.

Quando lutamos pela democratização da comunicação, não lutamos por uma hegemonia. Dominique Wolton [sociólogo francês] ressalta a importância da coexistência de mídias privadas e públicas nacionais expressando a unidade e a cultura do país, ao mesmo tempo em que as mídias regionais devem ser estimuladas. É preciso haver pluralidade para termos democracia.

Devemos rechaçar qualquer tentativa de se formar uma “Rede Globo” de sinal inverso. Isto é: não queremos criar um sistema de comunicação no qual a "nossa" comunicação predomine. Ela deve ser uma construção coletiva - daí a importância da capacitação da sociedade para essa tarefa e do controle público sobre essa mesma tarefa. É preciso garantir que, tanto as grandes empresas, quanto a rádio comunitária mais longínqua, tenham dentro da sua atividade a dimensão pública e a obrigação de dar guarida às versões todas sobre os fenômenos da comunicação. Quando o FNDC fala de controle público, significa que ele se aplica tanto às grandes empresas de comunicação quanto às mídias alternativas, sindicais, de bairro, comunitárias ou públicas.

quarta-feira, 25 de março de 2009

LIBERDADE DE EMPRESA

Mário Augusto Jakobskind - Publicada em:22/03/2009

Como já foi dito em várias ocasiões neste espaço do DR, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que reúne os grandes proprietários midiáticos do continente americano, volta e meia se reúne para repetir críticas e se posicionar levando apenas em conta os interesses dos associados. Geralmente bate de frente nos governos de países da América Latina em processo de transformação. Na última destas reuniões, realizada na capital paraguaia, a SIP confirmou que não passa de uma entidade defensora antes de qualquer coisa da liberdade de empresa. Para dourar a pílula, mistura esse gênero de liberdade com a de imprensa e de expressão.

Os grandes veículos de imprensa, impressos ou eletrônicos, repercutem em grandes espaços as resoluções da SIP, que acabou de condenar supostos ataques do Presidente Lula à imprensa. E o que é pior, manifestou a “preocupação” com a anunciada realização, em dezembro deste ano, da Conferência Nacional de Comunicação, anunciada por Lula, bem como defendeu a “flexibilização” da exigência do diploma para jornalistas.

A SIP ficou irritada com Lula por ter o presidente afirmado em entrevista para a revista Piauí que não lê jornais para não ter azia. Desta forma, Lula manifestou seu desagrado contra a constante manipulação da informação da mídia hegemônica e a filosofia do pensamento único. Contra esse tipo de deformação jornalística, a SIP silencia. Prefere condenar quem denuncia.

O patronato reunido em Assunção, sob a presidência de Enrique Santos , irmão do Ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, acusado por Hugo Chávez de querer transformar o país em Israel da América Latina, justificou a “preocupação” por entender que “os debates da Conferência Nacional de Comunicação serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que pretendem interferir no funcionamento da imprensa”.

O verdadeiro motivo do posicionamento da SIP é o de pressionar o Poder Público e boicotar a realização da Conferência, ou manipulá-la para evitar que cumpra os objetivos a que se propõe, ou seja, debater e sugerir mudanças na área da mídia. A resistência é tão forte que alguns analistas entendem serem as reformas na mídia mais difíceis de serem incrementadas até do que a reforma agrária, atrasada no Brasil há pelo menos dois séculos.

As mentiras levantadas pela SIP se devem também ao fato de que os proprietários dos veículos de comunicação quererem manter intacto o domínio sobre o setor midiático através de empresas oligopolizadas. Ou seja, não podem ouvir falar numa Conferência que tem por objetivo discutir a mídia no Brasil e apresentar sugestões concretas no sentido de democratizar os meios de comunicação. Entendem os barões midiáticos, representados nestas bandas pelas famílias Marinho, Mesquita, Frias e tantas outras que não se deve ampliar os espaços midiáticos para setores sociais representativos do povo brasileiro.

Vale tudo para evitar que isso aconteça. Uma das estratégias é aproveitar o espaço da SIP para apresentar argumentos que falseiam a realidade e, vale sempre repetir, que misturam alhos com bugalhos, ou seja, conceitos de liberdade que se chocam, como a de empresa e de imprensa.

Lula da Silva fez o anuncio da realização da Conferência no Fórum Social Mundial no final de janeiro em Belém. Os barões midiáticos agora pressionam o governo para evitar que os movimentos sociais brasileiros ganhem espaço na área. Querem porque querem fazer algo a sua maneira e que não coloque em questão o a sua hegemonia.

De quebra, desta vez via SIP, o patronato reafirmou sua posição contrária à exigência do diploma para o exercício profissional jornalístico. Na verdade, quer o patronato ter o controle ideológico total sobre quem elabora a notícia e também conseguir mão de obra ainda mais barata que a atual.

O debate em torno desta questão tem nuances sofisticadas e não pode ficar sujeito aos humores de um patronato que tem como norma que a notícia é uma mercadoria. Ou seja, para esses empresários, salsicha e notícia são o mesmo tipo de mercadoria, e aí então tudo é possível, inclusive a utilização da estratégia de repetir consecutivamente mentiras até que elas virem verdades.

Não é à toa que a SIP defendeu a flexibilização da exigência do diploma na antevéspera de uma decisão da matéria pelo STF. E também não é à toa que certos dirigentes latino-americanos, de Cristina Kirchner a Hugo Chávez, passando por Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega e brevemente Mauricio Funes, o presidente recém-eleito de El Salvador que tomará posse em junho, são considerados hoje “inimigos” da liberdade de empresa (e não de imprensa) pela SIP.

Fonte: Direto da Redação

Conferência de comunicação gera disputas

Os barões da mídia temem que a convergência digital acelere a invasão das multinacionais da telefonia no setor

Os barões da mídia temem que a convergência digital acelere a invasão das multinacionais da telefonia no setor
24/03/2009

Altamiro Borges


A Conferência Nacional de Comunicação nem foi convocada oficialmente e já é alvo de ataques e sabotagens. Ela foi anunciada inesperadamente pelo presidente Lula no Fórum Social Mundial, em Belém, no final de janeiro, sendo motivo de comemoração para todos os que lutam contra a ditadura midiática no país. Na sequência, foram feitas varias reuniões em Brasília para definir o temário e a comissão organizadora, mas a decreto oficial de convocação ainda não foi publicado. Esta demora preocupante se deve a intensa disputa de bastidores sobre os rumos da conferência.

No próprio governo, as divergências são visíveis. O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, defende que a conferência discuta as concessões públicas, a propriedade cruzada e a concentração da mídia, num processo que sirva para democratizar este setor. Já o ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou em recente palestra que "a democratização da comunicação sempre existiu no governo Lula. "Não precisa de uma conferência nacional para fazer a democratização de nada", polemizou, contrapondo-se ao próprio presidente.


Guerra no meio empresarial


As divergências também estão acirradas nos meios empresariais. Os barões da mídia temem que a convergência digital acelere a invasão das multinacionais da telefonia no setor. Eles fazem um discurso em defesa da produção cultural brasileira, mas não aceitam tocar nos seus privilégios - no monopólio midiático que manipula corações e mentes. Paulo Tonet, da Associação Nacional de Jornais, expressou bem esta contradição, ao criticar o debate sobre a concentração do setor e ao defender que a conferência discuta apenas "o conteúdo nacional da produção". Nesta guerra entre as teles e os barões da radiodifusão, a sociedade brasileira está totalmente excluída, alijada.


Mesmo com suas diferenças, os dois segmentos do capital se unem para evitar que a conferência se empenhe em democratizar, de fato, os meios de comunicação. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que expressa os interesses de ambos, recentemente atacou o presidente Lula por suas "críticas desmedidas" à mídia e manifestou temor com o evento. Já os jornalões e emissoras de televisão destilam veneno contra a participação da sociedade. A Folha de S.Paulo, por exemplo, publicou reportagem marota sobre os gastos públicos com o evento, previstos em R$ 8,2 milhões. Quanto menor a estrutura, mais difícil será o acesso e a participação das organizações da sociedade civil.


Limites ao poder incontrolado


Como alerta o professor Laurindo Leal, a gritaria indica que "a campanha contra já começou. E a ordem veio de cima, bem de cima: da associação internacional dos donos da mídia no continente, conhecida pela sigla SIP. Ela se diz preocupada ‘porque os debates serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que pretendem interferir no funcionamento da imprensa'. A expressão pode ser traduzida pelo temor diante da possibilidade de um debate mais sério e aprofundado sobre o pensamento único imposto pelos grandes meios de comunicação. Afinal, debates como o proposto podem conduzir a ações práticas, capazes de impor limites a esse poder incontrolado".


Profundo conhecedor do poder da ditadura midiática, Laurindo adverte que será preciso intensa pressão da sociedade para garantir uma conferência democrática. Do contrário, ela poderá ser manietada. Ele lembra que a divisão entre as teles e a radiodifusão pode servir como brecha aos movimentos sociais. Mas não alimenta ilusões. "Do lado patronal, dificilmente sairia posição diferente, afinal estão defendendo interesses de classe seculares... Daí a importância da mobilização, necessária para impedir que os interesses empresariais da mídia se sobreponham aos da sociedade".


Ilusões e avanços do governo Lula


Estas disputas explicam a demora na convocação da conferência. Apesar da guerra de bastidores, tudo indica que ela será oficializada. O governo Lula sofreria enorme desgaste se recuasse agora. A realização de um debate democrático, com ampla participação da sociedade, é anseio e demanda dos movimentos sociais brasileiros. A proposta da conferência fez parte da plataforma de Lula nas eleições de 2002, mas o governo preferiu conciliar com a oligarquia midiática, num misto de ilusão de classe e de tentativa pragmática de neutralizar os veículos privados.


A manipulação da mídia na eleição presidencial de 2006 fez com que o governo Lula acordasse, parcialmente, para este desafio estratégico. Uma iniciativa positiva foi a da criação da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil. O presidente também passou a polemizar mais com mídia privada, o que irritou a SIP. O anúncio da conferência em Belém foi outra iniciativa positiva. A questão agora é garantir que o processo seja realmente democrático, garantindo a ampla participação da sociedade num debate cada vez mais candente.

Fonte: Brasil de Fato

sábado, 21 de março de 2009

José Dirceu denuncia golpismo da SIP

Apesar das restrições que se pode ter a José Dirceu, ele se posicionou claramente em defesa da Conferência Nacional de Comunicação


O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, aborda em seu segundo artigo como colunista do portal WSCOM Online sobre o debate proposto na Conferência Nacional de Comunicações, previsto para dezembro deste ano, de democratização das comunicações.

No texto, reproduzido no site da Revista NORDESTE (www.revistanordeste.com.br), Zé Dirceu defende a realização do evento, critica ação de conservadores para barrar a conferência e aponta a necessidade de se rediscutir o modelo de comunicação social no país.

Confira.


Ofensiva tenta barrar Conferência Nacional de Comunicações
José Dirceu
Ex-ministro-chefe da Casa Civil


Um relatório anual sobre 2008, divulgado essa semana pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e com ataques ao presidente Lula - acusado de fazer ”críticas desmedidas à imprensa” - foi a senha lançada pelos conservadores para começar a torpedear a Conferência Nacional de Comunicação programada para dezembro próximo.

Defendo e apóio firmemente a realização da Conferência nos termos em que está sendo organizada, por considerar que ela será um espaço democrático, onde a sociedade poderá debater e encaminhar as mudanças necessárias no atual modelo de comunicação social brasileiro, arcaico, com nada menos de 47 anos (foi elaborado em 1962) e que permitirá uma verdadeira democratização nos meios de comunicação.

Para atacar o presidente, a entidade cita, entre outros pontos, a proposta apresentada pelo governo de criação do Conselho Federal de Jornalismo. O relatório da SIP diz que o objetivo do Conselho é “disciplinar e fiscalizar o trabalho da imprensa", o que é uma grotesca mentira que fica absolutamente desnudada com a leitura do projeto enviado pela Federação Nacional de Jornalistas, que solicitou ao governo que o enviasse ao Congresso Nacional.

O que nem todos sabem é que a SIP é um instrumento da direita e do conservadorismo na América Latina. Não defende a liberdade de imprensa coisa nenhuma, defende a liberdade das empresas e dos donos dos meios de comunicação no continente. Além da passividade que manteve diante das ditaduras implantadas no continente no passado, com raros e tímidos protestos, a SIP calou-se recentemente num silêncio sepulcral quando a direita, usando todo o poder da mídia, conspirou até dar um golpe de Estado contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, eleito democraticamente. É só ler os jornais da época, ouvir as emissoras de rádio e ver as de TV para constatar a omissão da SIP diante desta tentativa golpista na Venezuela.

Não tem, portanto, autoridade moral nenhuma para criticar o presidente Lula. Beira o ridículo sua crítica à entrevista do presidente à revista Piauí na qual o chefe do governo emitiu suas opiniões pessoais sobre a mídia. Só falta agora não se poder mais criticar a mídia conservadora, monopolista e golpista, como é o caso de alguns jornais e redes de rádio e TV na Argentina, Equador, Chile, Bolívia, Venezuela, enfim, em praticamente todos os países da América Latina.

Não satisfeita com as críticas a Lula, a SIP, comparou o comportamento do presidente brasileiro ao do presidente da Venezuela Hugo Chávez. Na verdade, a Chávez e ao presidente Evo Morales (Bolívia). O que só comprova o caráter político da nota e seu direcionamento ideológico.

O que faltou nessa nota e na ação da SIP são os fatos. Como, aliás, faltam nas matérias editorializadas que cada dia mais parte da imprensa faz. Afirmar que Lula ataca a imprensa é absurdo, ridículo, é uma censura aberta a um presidente da República, uma tentativa de impedir críticas à imprensa, o que demonstra o caráter antidemocrático da SIP.

Todo e qualquer cidadão tem o direito de resposta e de imagem, o direito de ter sua opinião e exprimi-la sobre a imprensa - inclusive o presidente da República. Era só o que faltava a SIP querer censurar os cidadãos que não concordam com as matérias, notícias, editoriais, artigos, opiniões, com as verdadeiras campanhas movidas pela mídia.

A SIP em seu relatóirio anual e seus aliados da grande imprensa brasileira dizem estar preocupados porque os debates (na Conferência Nacional de Comunicação) serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que, segundo eles, querem interferir no comportamento da imprensa.

O que há por trás disso? Um jogo de pressões para forçar o governo a não realizar, ou a protelar, indefinidamente a Conferência possibilitando-lhes manter o os oligopólios que dominam na manipulação da informação, em prejuízo do interesse público e nacional.

Fonte: WSCOM

Quem tem medo da Conferência Nacional de Comunicação (CoNaCom)?


Heitor Reis (*)


Já estava demorando, mas finalmente começou o primeiro embate, "round" para os súditos idiomáticos do maior país terrorista da face da Terra!


Deputados Federais, já se pronunciaram manifestando sua preocupação com a CoNaCom:


"Esta semana, a conferencia entrou nos debates da Câmara dos Deputados. O Dep. Miro Teixeira atacou-a, dizendo que ela pode ser um instrumento de controle da imprensa, de censura, de cerceamento da liberdade de expressão, etc. Depois desta fala, vários deputados foram na mesma linha. Mais tarde, ouvi uma entrevista na CBN, do presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), dizendo que a conferência pode virar algo que pensa o passado (as concessões) e não o futuro (novas mídias)."
(Jose Antonio Moroni, do Inesc - Instituto de Estudos Socioeconomicos - www.inesc.org.br)


Será que a conferência não poderia ser, também um instrumento para limitar o descontrole sempre existente, em que a imprensa jamais teve qualquer limite, na prática? Ou o ex-Ministro das Comunicações não tem interesse de que todos tenham liberdade de expressão, mas tão somente apenas os mais ricos, os maiores empresários, banqueiros e comerciantes? Será que não houve um único deputado para se posicionar de forma diferente da descrita por Moroni?


Por que a ANJ não quer que se examine as concessões? Não será porque sempre foram concedidas num processo de lesa-pátria, no toma-lá-dá-cá, em que políticos e outros poderosos trocam sua influência e seu voto por uma outorga de rádio ou TV?


Quem não tem medo da CoNaCom, pode ler um documento atualíssimo sobre a comunicação no país, ainda que produzido em 1990, pela Fenaj - Federação Nacional dos Jornalistas, preservado pela Enecos - Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação:
http://www.enecos.org.br/docs/proposta.doc

Em 16/03/2009, em Uberlândia-MG, o Ministro das Comunicações, ex-funcionário da Rede Globo e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, durante inauguração do sistema digital da Rede Integração, afiliada de sua ex e talvez ainda atual patroa, teve sua fala registrada no áudio em anexo e disponível em
http://brasil.indymedia.org/media/2009/03//443073.mp3 .

“A democratização da comunicação sempre existiu no governo do Presidente Lula. Não precisa de uma Conferência Nacional de Comunicação para fazer a democratização de nada. Tudo está sendo democratizado! O país está sendo democratizado! As comunicações estão sendo democratizadas!” (Hélio Costa)

Certamente, o Ministro condenou frontalmente a decisão do Presidente da República em levar a cabo tal iniciativa ainda este ano e isto já demonstra que, com a proximidade da próxima eleição, os ratos já começam a abandonar o navio, fazendo de tudo para afundá-lo antes e ficar bem na foto em 2010. Especialmente para angariar a simpatia e pular para o barco dos financiadores de campanha!...

Na Folha de S. Paulo deste mesmo dia de 16/03/2008, encontramos a Sociedade Interamericana de Imprensa (SII, sigla em espanhol SIP) indo mais além, mas atirando no mesmo alvo:

Lula faz ‘críticas desmedidas’ à imprensa, afirma entidade: "Em relatório divulgado ontem no Paraguai, a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz ‘críticas desmedidas’ aos meios de comunicação. O Palácio do Planalto não comentou oficialmente o documento, no qual o comportamento de Lula em relação à imprensa é comparado ao do colega venezuelano Hugo Chávez. [ http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u535421.shtml ]

"A SIP e seus aliados da grande imprensa brasileira dizem que 'estão preocupados porque os debates (na Conferência Nacional de Comunicação) serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que pretendem interferir no funcionamento da imprensa'." [ http://www.sjpdf.org.br/internas/noticias_details.cfm?id_noticia=2012 ]

Esta manifestação da SIP foi motivo de notas de protesto por parte de sindicatos de jornalistas, um do DF e outro, do RJ. Certamente haverá outros em breve, inclusive de outras entidades do movimento social. [ http://www.sindicatodosjornalistas.com.br/artigo_01.php?idpainel=4308&idnoticia=000000009187 ]

O que a SIP não diz é que a conferência, na forma como está proposta, será democrática e todos estarão proporcionalmente representados nela, podendo expor liberalmente seus argumentos para votação pelos demais delegados. O problema que preocupa os capitães hereditários da mídia é que, se Lula convocar uma atividade realmente democrática, as vítimas exploradas pela grande imprensa e pelos anunciantes dela serão maioria e imporão, caso seja também deliberativa, uma redistribuição honesta deste poder. Caso seja meramente consultiva, o dano para a minoria e o ganho para a maioria serão ambos menores...

As manifestações da própria Folha de São Paulo, de Franklin Martins e do presidente da Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Daniel Pimentel Slaviero, também esta semana (17/03), evitaram mencionar que a conferência será democrática, apesar de afirmarem que será ampla e plural. Para quem entende português, há uma diferença conceitual astronômica em jogo nesta questão. [ http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u535900.shtml ]

A Folha, através de seus diplomados jornalistas, informou que o evento estará voltado para as novas mídias, desconsiderando de forma explícita a questão da democratização da comunicação, coisa que ela e o PIG - Partido da Imprensa Golpista teme mais que o diabo à cruz.

Sem nenhuma sombra de dúvidas a democratização da comunicação significa reduzir a concentração da mídia nas mãos de uma insignificante minoria numérica, mas com poder suficiente para impedir que Lula ganhasse de Collor em 1989, através da manipulação da informação, feita por jornalistas também diplomados que a própria Fenaj defende como sendo vestais da ética e da qualidade da informação.

Assim, a demora na publicação do decreto permite que ele sofra pressões por parte dos financiadores da campanha de Lula e de seus sócios no poder econômico, numa articulada campanha de classe, através de seus lacaios no poder, para minimizar ao máximo qualquer ganho para aqueles que consideram um absurdo 0,000001 % da população deter 90 % do poder de comunicação e 1 % abocanhar a metade da riqueza nacional. Mas os movimentos sociais também podem pressionar noutra direção se estiverem realmente interessados a defender esta causa. A Comissão Nacional Pró-CoNaCom já cobrou do Presidente Lula a demora em sua publicação. Mas de que lado ele vai ficar, afinal?

Certamente, os Donos da Mídia [ www.DonosDaMidia.com.br ] usarão seus próprios meios de comunicação para atingirem o fim, como sempre, o lucro a qualquer custo, defendendo com unhas e dentes os seus interesses. Afinal, ninguém melhor que Delfim Netto para nos ensinar com quem estamos lidando: "O capitalista é um animal voraz!"

Assim, nada mais racional que os raros seres ainda pensantes deste país, que escaparam da matriz imposta pelo sistema, que nos modela a quase todos (Matrix, o filme), se perguntem, conforme sugerido por Bráulio Ribeiro (Intervozes) e Paulo Miranda (TV Comunitária do DF):

Quem tem medo da CoNaCom e por quê?

Esta conferência vai ser construída ou destruída dentro de um cenário em que a coisa fica ainda mais dramática, especialmente quando Luis Nassif constata, em texto datado de 20/03/2009, às 11:21 h, que "o país passa por um momento político inédito, com os desdobramentos do Caso Satiagraha. (...) Há claramente um cheiro de golpe no ar." [ http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/ ]

Enquanto não vem o próximo golpe, podemos curtir o anterior, aceitando o convite da Grupo Terrorismo Nunca Mais para missa em Brasília, "pelo 45º Aniversário da Contra-Revolução de 31 de Março de 1964, em sufrágio das almas dos heróis brasileiros que tombaram na luta armada no combate ao comunismo e em defesa da democracia. O ato religioso será realizado às 20:00 horas do dia 31 de março (terça-feira), na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (SHIS EQ/QL 06/08, Conjunto “A“, Lago Sul , em frente ao Gilberto Salomão)."

É bom lembrar que a ICAR - Igreja Católica, Apostólica e Romana foi uma das articuladoras do golpe, com o apoio da OAB - Órdem dos Advogados do Brasil, até o momento em que não suportaram a sede de sangue dos assassinos profissionais a serviço dos senhores do Estado.

Desconheço até o momento qualquer atividade programada "em sufrágio das almas dos heróis brasileiros que tombaram na luta armada, combatendo" os milicos lacaios do capitalismo, em defesa de outro conceito de democracia (como se fosse possível ter dois governos do povo!!!), contra o fechamento do Congresso Nacional, censura da imprensa, inflação e dívida externa galopantes, tortura, assassinatos e julgamentos sumários de milhares de pessoas, em função do terrorismo de Estado implantado durante 25 anos no país, cujas indenizações todos nós pagamos e não os criminosos que as praticaram. Se alguém souber de algo, não deixe de me avisar!...

Mas quando se fala em golpe, sempre podemos prever dialeticamente, que poderá também haver o contra-golpe. E que este poderá ser preventivo como se alega ter sido o de 1964!... E pouco importa se o suposto golpe for real ou não. O que não podemos prever é o método que será adotado desta vez. Se mais ou menos sutil. Mais ou menos violento. O certo é que não parece haver interesse em fazer coisa alguma de forma legal, moral e juridicamente adequada. Como sempre.

(*) Heitor Reis é um adolescente mesocentenário ou um centenário meso-adolescente. Engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e em defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org) e articulista. Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais ("Copyleft"). Contatos: (31) 9208 2261- heitorreis@gmail.com - 21/03/2009


[Publicado apesar das poucas divergências de opinião.]

sexta-feira, 20 de março de 2009

CFP - Regionalização e Diversidade


Visite o Conselho Federal de Psicologia no Youtube AQUI.