quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Confecom: Propostas apresentadas nos estados serão votadas só na etapa nacional.
20 de outubro de 2009
As propostas apresentadas nas conferências estaduais de Comunicação não serão mais filtradas, serão enviadas todas para a etapa nacional para votação. A decisão aprovada hoje pela Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) garante a continuidade dos representantes das empresas no debate, mas é motivo de críticas dos movimentos sociais. “A decisão enfraquece o debate e trará uma carga enorme de propostas, que terão que ser votadas na plenária nacional”, reclama Jonas Valente, diretor da Intervozes.
Outra decisão que favorece os empresários diz respeito ao preenchimento dos delegados representantes de cada segmento (governo, movimentos sociais e entidades empresariais), que têm que ser eleitos nas comissões estaduais. Para a eleição, cada segmento é obrigado a ter a efetiva participação do dobro do número de delegados a serem eleitos nas plenárias estaduais. Caso não consiga, o preenchimento ou não das vagas de cada segmento será examinado pela Comissão Organizadora Nacional. Somente os representantes do segmento empresarial admitem dificuldades para atender essa determinação.
E ainda: as comissões organizadoras estaduais serão obrigadas a incluir pelo menos dois representantes de entidades de âmbito nacional dos movimentos sociais e empresariais, nesse caso, representantes da Abra (radiodifusores) e da Telebrasil (telecom) que ainda permanecem na Confecom. Caso isso não ocorra, a conferência estadual será desconsiderada. A resolução atende a outra reivindicação dos empresários, que alegam estarem sendo excluídos da organização da conferência nos estados.
Outra definição polêmica é de que os critérios de votação dos delegados serão definidos por cada segmento nos estados. “Isso facilitará a escolha do número maior de representantes das forças dominantes em cada segmento”, critica Valente.Para o representante da Telebrasil, José Pauletti, as decisões estão sendo tomadas com base na racionalidade. Ele defende a adoção de critérios diferentes dos usados em outras conferências, alegando que o tema, comunicação, tem uma dinâmica diferente. “Saúde, educação são temas decididos da base para cima, muito diferente da comunicação que se espalha de cima para baixo”, compara.
As decisões acima foram tomadas hoje à tarde, durante a reunião da Comissão Organizadora Nacional. A reunião com os ministros Hélio Costa (Comunicações), Franklin Martins (Secretaria de Comunicação Social) e Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência da República), ocorrida de manhã, serviu apenas para apresentar os avanços. “A permanência da Abra e da Telebrasil na Confecom não estava na pauta”, disse Marcelo Bechara, consultor jurídico do Minicom e presidente da Comissão Organizadora Nacional.
Na próxima reunião da comissão, marcada para a próxima terça-feira, será debatida a programação da etapa nacional da Confecom.
http://www.telesintese.ig.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=13473&Itemid=105
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Governo se reúne nesta terça-feira para aprovação do regimento interno da Confecom
Por Rodrigo Sales , Telecom Online
Com a aprovação do documento, as comissões estaduais devem convocar suas conferências regionais.
Os ministros Hélio Costa (Comunicações), Franklin Martins (Secretaria da Comunicação de Governo) e Carlos Dulci (secretário-geral da Presidência da República) se reúnem nesta terça-feira, 01, com as entidades que compõem a comissão organizadora da 1º Conferência Nacional de Comunicação para aprovação do regimento interno. O encontro acontece a partir das 10 horas no Ministério das Comunicações.
A intenção é que, com a aprovação do regimento, as comissões estaduais convoquem suas conferências regionais. Alguns estados como Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Alagoas e Piauí já convocaram suas etapas. A reunião foi marcada após as entidades e comissões estaduais terem enviado diversos manifestos nacionais cobrando a aprovação do regimento.
A aprovação do regimento marcou um racha entre o empresariado, com a saída de cinco delas da comissão organizadora. São elas a Abert, que representa as emissoras de radiodifusão, a Abranet, dos provedores de internet, a ABTA, das operadoras de TV por assinatura, a ANJ, dos donos de jornais, a Adjori Brasil, dos jornais do interior, e a Aner, dos editores de revistas. A Confecom acontece em dezembro.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Conferência de Comunicação expõe conflitos do governo Lula
Enquanto o ministro das Comunicações, Hélio Costa, entende que os meios são democráticos e manda a juventude se ‘despendurar’ da internet, o Ministério da Cultura quer mais democracia nos meios e entende como fundamentais a democratização sobre radiodifusão comunitária, produção independente e regionalização da programação.
Quando Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura em 2003, o entendimento de políticas culturais foi ampliado para um sentido antropológico. Atual ministro, o sociólogo Juca Ferreira, define que “cultura é todo campo simbólico, toda atividade que ultrapasse o limite funcional, que tenha uma carga simbólica e contribua para a subjetividade”. Assim, políticas culturais envolvem um conceito muito mais amplo do que políticas públicas para a cultura. Elas são transversais a outras políticas e direitos.
Um dos principais entraves para descobrirmos a democracia cultural é formular políticas que promovam e protejam a diversidade das expressões artísticas e culturais nos meios de comunicação e que alarguem os gargalos de concentração de poder da informação. Teóricos entendem que é impossível dissociar comunicação de cultura. O próprio Ministério da Cultura já propôs algumas políticas que obtiveram sucesso - como o debate de Cultura Digital do Cultura Viva, a ratificação da Convenção da Unesco e os Pontos de Mídia Livre - e outros projetos que acabaram massacrados pelas grandes empresas midiáticas - no caso a tentativa de regulação do setor audiovisual com o anteprojeto de criação da Ancinav.
Assim, participação de artistas e pensadores do assunto é fundamental na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) que se aproxima. Além das incertezas sobre os temas que estarão em pauta e como acontecerão as etapas locais e estaduais (que antecederão o grande encontro em Brasília, nos dia 1, 2 e 3 dezembro), a sociedade civil não empresarial preocupa-se em criar uma arena de debates sem tabus e com a presença dos mais diferentes segmentos sociais. A intenção é que o processo seja marcado não apenas como uma discussão de técnicas e tecnologias, mas que seja uma ampla reflexão sobre democracia e a sociedade que queremos.
A Conferência é reivindicada desde 2006 por entidades como o coletivo Intervozes, Conselho Federal de Psicologia e Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária que formaram em 2007 a Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação, estabelecendo diálogo com governo. culminou no anúncio do presidente Lula durante o Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, afirmando a convocação da Conferência ainda para este ano. Em 16 de abril, o decreto de convocação da Confecom foi publicado e a as entidades que compõem a comissão organizadora foram estabelecidas pelo Ministério das Comunicações (MiniCom), responsável pela organização.
Para acompanhar os passos do ministro das Comunicações, Hélio Costa, Lula convocou os ministros Luiz Dulci e Franklin Martins (secretarias Geral da Presidência e Comunicação Social, respectivamente). Durante coletiva de imprensa por ocasião da criação da comissão organizadora, Dulci afirmou que não existem temas tabus a serem conferidos. Entre os interesses que estarão em pauta nos dia 1, 2 e 3 de dezembro em Brasília, o ministro da Cultura quer afirmar as rádios comunitárias e possibilitar a experiência de TVs comunitárias, a regionalização do acesso a exibição e veiculação dos conteúdos e democratizar os meios de comunicação para que a produção independente tenha acesso aos meios de difusão.
“O Brasil é muito resistente em mudar a legislação. Até hoje, não conseguimos regulamentar o capítulo da comunicação na Constituição, como está previsto. Os interesses são muito grandes e poderos. Mas o povo brasileiro vai conseguir fazer isso”, acredita o ministro Juca Ferreira. O Ministro da Cultura refere-se aos artigos 221 a 224 da Constituição que afirma, entre outros pontos, que “os meios de comunicação não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio” e que a programação de radiodifusores deve atender princípios como preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente.
Porém a boa vontade governamental para por aí. Aliás, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, é defensor dos interesses das empresas de radiodifusão e fez de tudo para que a Confecom não acontecesse. Depois de convocada, Hélio Costa já afirmou que os meios de comunicação já são democráticos, portanto não é necessário debater políticas de democratização da comunicação. Além disso, o ministro quer que a Conferência olhe para as novas tecnologias e no Congresso da Abert (associação dos donos de Rádios e TVs), realizado em maio, Hélio Costa afirmou que “a juventude precisa se despendurar da internet e voltar a ver TV”.
Não bastasse a má vontade, o orçamento do MiniCom destinado para a realização da Confecom era inicialmente de R$ 8,9 milhões, mas o governo já anunciou um corte que deixa pouco menos de R$ 1,6 milhão. A criação da comissão organizadora, sem nenhuma consulta, também expõe contradições. Conforme o jornalista Vilson Vieira Jr. denunciou em seu blog, quatro parlamentares que representam o Congresso têm propriedade sobre concessões públicas de rádio e TV. A primeira reunião da comissão aconteceu no dia 1º de junho e o próximo encontro será dia 19 de junho.
Diversidade Cultural
Na abertura do Quinto Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura promovido na UFBA (V Enecut), o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, afirmou que os grandes veículos de comunciação estão promovendo um verdadeiro cerco às políticas de reparação racial a partir das cotas em universidades. “É articulado e anti democrático. A democratização da comunicação é fundamental para repararmos a concentração”, pontuou.
Para o cineasta e pesquisador mineiro Joel Zito Araújo, que também participou do V Enecult, existe um tabu que começou agora a ter uma perspectiva interessante no debate de Tv Pública, a partir dos Fóruns. Ele lembra de uma pesquisa que constatou que no ano passado o número de apresentadores de telejornais brancos era de 93% do total em todo o país. O número de programas que falavam um pouco sobre cultura negra não chegavam a 8% da programação.
“Se nós não estabelecermos uma política para implementar o orgulho da diversidade, a incorporação de forma positiva do índio e do negro, nós não mudamos. Nós estamos presos a uma mentalidade ainda do branco como a melhor representação do humano. Portanto, essa Conferência tem que incorporar esse tipo de mudança. Se a gente não começar debater essa questão nas escolas e entre os profissionais de comunicação, não avançaremos”, acredita Joel Zito Araújo.
Fonte: Direito à Comunicação
quarta-feira, 29 de abril de 2009
MinC quer debater conteúdo na Conferência de Comunicação
Na manhã desta sexta-feira (17/04) a chefe da representação regional Nordeste do Ministério da Cultura, Tarciana Portella, convidou membros do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom) para expor as intenções do MinC em relação à Conferência Nacional de Comunicação. Ela queria também ter informações sobre os andamentos dos comitês pró-Conferência
em âmbito regional e nacional.
Segundo Tarciana, em reunião na última quinta-feira com o ministro Juca Ferreira, foram tiradas diretrizes de como o MinC deve se envolver com os debates em torno da comunicação, sobretudo no que diz respeito às questões do conteúdo e da produção independente em
audiovisual. A intenção é incluir na pauta da conferência de dezembro o eixo "Comunicação e Cultura", já debatido em 2005 e 2006 quando da 1ª Conferência Nacional de Cultura.
O MinC quer antecipar o tema, que estaria incluído na pauta de sua 2º Conferência Nacional, prevista para maio de 2010.
A chefe da representação aproveitou a reunião para também lançar o convite para o Encontro Nacional de Comunicação para a Cultura, que será realizado no Recife de 11 a 14 de junho. Os dois eixos temáticos do evento serão:
1) A pauta do MinC para a Conferência Nacional de Comunicação e
2) a Rede de comunicação para a cultura.
Ao final da reunião foram estabelecidos alguns procedimentos para uma maior aproximação do MinC com as entidades que já estão ligadas ao movimento pró-Conferência, tais como o envolvimento dos Pontos e Pontões de Cultura e a criação de redes nas regionais cobertas pelo
Ministério.
Os membros do Fopecom na reunião foram Edgard Rebouças (Observatório da Mídia Regional/UFPE), Ana Veloso (Centro das Mulheres do Cabo) e Aline Lucena (Sinos), que informaram aos representantes do MinC sobre os desdobramentos do movimento por parte da sociedade civil em Pernambuco e no resto do país.
Enviado por Edgard Rebouças por endereço eletrônico.